ALMIR ZARFEG: Páscoa de renovação, ainda que tardia

ALMIR ZARFEG: Páscoa de renovação, ainda que tardia
12 abril 17:39 2017 Imprimir esta notícia

Chacrinha, o bom e velho guerreiro, dizia que quem não se comunica se… trumbica!

E quem não se renova? Com certeza, envelhece, fica fora de moda, ultrapassado, vintage (mas essa palavra está na moda!), perde o trem da história, enfim, caduca.

Portanto, vamos fazer aqui e agora o elogio da renovação, que não precisa ser carismática, mas que seja física e mental, por dentro e por fora, holisticamente.

E nem precisa ser uma transformação abrupta, repentina e radical, cujos efeitos levem o indivíduo a ser confundido com alguém que acaba de sofrer uma intervenção cirúrgica plástica que camufla o ser no não-ser…

Pelo contrário, essa renovação aconteça com tranquilidade, de maneira até imperceptível, com pequenas mas importantes conquistas para a pessoa. Lembram do efeito borboleta?  Pois é. Essa mudança venha assim, como quem não quer nada, mas querendo, e que, sobretudo, traga ganhos efetivos, qualidade de vida e de espírito.

Pensando bem, essa renovação – que não é carismática – aconteça após um banho de chuva ou, quem sabe, após um mergulho no rio Itanhém, no Água Fria ou mesmo no Oceano Atlântico… Tibum, e o indivíduo sai das águas completamente modificado.  Isso. A impressão é que, agora, o cabra ostenta uma auréola angelical sobre a cabeça.

Essa ressurreição – que não precisa ser cristã – nos surpreenda a qualquer hora do dia ou da noite. Você vai passando pela Rua da Pituba, ali nas imediações da Águas Claras, nas proximidades da Academia Sport Center, e senão quando… você se encontra na situação-limite em que, sem explicações, descobre que precisa dar um novo rumo à sua vida… A partir de hoje, d’agora, vou ser uma pessoa melhor… E até escuta, não se sabe como, um fiapo de voz lhe assoprando na orelha direita a frase-sussurro: “It’s getting better”.

Essa vida nova, preste atenção, aconteça após um longo e revigorante trago… (a natureza desse pequeno vício fica por conta de vocês, que são curiosos por natureza, com perdão do trocadilho). Afinal, o cronista não está aqui para meter o bedelho na vida privada de ninguém. De maneira que o suposto vício, por milagre, se metamorfoseie em virtude…  Eis que surge um novo homem ou uma nova mulher!

Esse recomeço… hum, que coisinha mais linda, se dê num piscar de olhos, como numa epifania, um acontecimento mágico e extraordinário. Tipo assim: o indivíduo se dirige à Padaria Pão Gostoso mas, em vez de pães franceses, se surpreenda carregando ovos de ouro; a mesma pessoa vai comprar farinha na feira livre de sábado mas, na volta para casa, sente a mágica, a vibração, o inexplicável: a farinha de sempre, banal e neve, se transforma em uma pomba branca que voa até se perder na imensidão azul.

Que seja inverossímil, absurda e improvável esta crônica. No entanto, meu caro internauta, ninguém está aqui para empurrar feijão com arroz, lugares-comuns, promessas safadas… Chega de pão-pão/queijo-queijo. Mais ânimo, alma e animação nisso, minha gente.

Pois é Páscoa – que nem precisa ser cristã ou pagã no sentido estreito da palavra –, mas que seja de renovação, ainda que tardia.

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Almir Zarfeg é poeta e jornalista. Preside a Academia Teixeirense de Letras (ATL)

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