Arquivo: 20 anos do “mega assalto” ao Banco Baneb que terminou com 9 pessoas mortas em Itamaraju

Arquivo: 20 anos do “mega assalto” ao Banco Baneb que terminou com 9 pessoas mortas em Itamaraju
05 novembro 11:21 2017 Imprimir esta notícia

Ocorreu há exatos 20 anos, no entanto, a cena e a repercussão do caso continuam frescas na memória dos itamarajuenses. Num assalto perpetrado por 8 bandidos contra a agência do Banco Baneb acabou com um soldado da PM metralhado em via pública, outro ferido a bala e todos os assaltantes envolvidos na operação ilícita morreram em confronto com policiais militares ao longo de 5 dias de perseguição nas matas do interior do município de Itamaraju.

O fato aconteceu no final da manhã de quarta-feira do dia 05 de novembro de 1997 (neste domingo 05/11/2017 completa exatos 20 anos), quando 8 homens desconhecidos e fortemente armados, assaltaram a agência do Banco do Estado da Bahia (BANEB), na Praça da Independência (atual prédio do Banco Sicoob) em Itamaraju, conseguindo roubar na ocasião a quantia de R$ 8.348.000,00 em espécie, e saíram do banco disparando rajadas de tiros onde metralharam o prédio do INSS, em frente à agência, consequência em que o soldado PM Dalvino Silva dos Santos, de 25 anos na época, foi baleado na perna pelos elementos.

Os assaltantes fugiram em carros de luxo levando dois reféns. O professor de Jucuruçu, Nilson Correia Amorim, 29 anos na ocasião, foi liberado tão logo os bandidos chegaram ao bairro Várzea Alegre, no entanto, o segundo refém, o soldado da Polícia Militar, Nilton Carlos Passos Souza, 26 anos na época, foi colocado para fora do veículo às margens da Br-101 ainda no bairro Várzea Alegre e metralhado por um dos marginais. Nove tiros atingiram fatalmente o soldado, onde na sequência um dos carros dos bandidos passou por cima do corpo do militar que já estava morto na pista.

Vinte anos se passaram, e este crime continua no rol do maior assalto a banco já ocorrido no interior da Bahia, tanto pela grande quantidade do dinheiro roubado e pela audácia dos criminosos, quanto pelo resultado da operação que culminou com a morte de todos os criminosos. Na ocasião, a operação em caçada aos bandidos foi comandada pelo jovem capitão Sérgio Barros, 32 anos na época, recém chegado ao comando da extinta 3ª Companhia da Polícia Militar de Itamaraju. Hoje Sérgio Barros é tenente-coronel e comanda atualmente o 13º BEIC – Batalhão de Ensino Instrução e Capacitação de Teixeira de Freitas.

Os bandidos fugiram em direção ao interior do município de Itamaraju, mas no início da noite daquela quarta-feira, houve o primeiro confronto dos assaltantes com homens da Polícia Militar, quando um dos bandidos, Sérgio Roberto Bezerra Barba, o “Serginho”, 26 anos, natural de Terra Rica/PR., foi morto crivado de bala na região da Farinha Lavada, na divisa dos municípios de Itamaraju e Jucuruçu.

Na mesma oportunidade, um outro efetivo da PM apreendia os 4 carros roubados que estavam em poder dos elementos: Um Fiat Tempra, Azul, de Placas CHE-6834, dois Volkswagen, um Gol Azul Metálico, de Placas BRG-2992, um Passat Verde de Placas KY-4179 e um Chevrolet Monza Azul, de Placas BSS-1478, licenciados de São Paulo-SP.

Enquanto isso, uma forte guarnição da Polícia Militar sob comando do então capitão Sérgio Barros e ainda sob comando institucional do major Bartolomeu Calheiros, do extinto 13º BPM de Teixeira de Freitas (hoje coronel aposentado), se mantinha nas matas da região a fim de efetuar a prisão dos outros marginais restantes.

Só três dias depois, em 08 de novembro de 1997, numa estratégia de operações montadas pela PM, os assaltantes foram obrigados a andar aproximadamente 40 quilômetros, quando houve um segundo confronto já na região entre Pirajá e Piragi, onde mais 4 assaltantes foram mortos. Alan Luiz Correia de Paula, 19 anos, natural de São Paulo/SP., Arnaldo Pereira Torres, 28 anos, natural de Monteiróplis/AL., Valdenir Paixão, 26 anos, natural de Uniflores/PR., e Adailson Silva Monteiro, 38 anos, natural de Itacaré/BA.

No dia seguinte, 09 de novembro de 1997, os outros três assaltantes, Rogério dos Santos Garrido, 21 anos, natural de Lorena/SP., Ariovaldo Borges Evangelista, o “Cigano”, 30 anos, natural de Remanso/BA., autor da rajada de tiros fatal contra o policial militar e Carlito de Jesus, o “Carlitinho”, 31 anos, natural de Alcobaça/BA., o mentor do assalto, também foram mortos em confrontos com policiais militares, numa região entre Pirají e São João da Prata. Com os bandidos na época, a PM apreendeu forte armamento de uso exclusivo da polícia ostensiva e das forças armadas, além de farta quantidade de munição.

Na época a Rádio Extremo Sul AM (830 KHZ) de Itamaraju, teve um papel fundamental na cobertura do evento delitivo. Foram 5 dias de cobertura intensa, os repórteres da emissora se empenharam no mato com a Polícia Militar e os flashs eram disparados a partir dos postos telefônicos dos distritos de Nova Alegria, Pirajá e Pirají, ou de cima dos morros via telefone celular, aliás, o celular era uma peça de luxo naquela ocasião e havia chegado em Itamaraju há pouco mais de 1 ano e o parelho utilizado pelos repórteres era o chamado “tijolão” que para conseguir sinal o repórter teria que procurar montanhas muito altas no interior do município. Na cidade e no campo, os ouvintes permaneciam ligados 24h sempre na espera de mais um flash com novas informações sobre o paradeiro dos bandidos.

Diante da sua morte, o soldado PM Nilton Carlos Passos Souza, de 26 anos na ocasião, foi promovido 5 anos depois, em 23 de maio de 2002, “post mortem”, à graduação de 1º sargento. Numa cerimônia, 11 anos depois, na segunda-feira do dia 22 de dezembro de 2008, a viúva Nilzete Ferreira Oliveira Souza e seu filho Bruno de Oliveira Passos Souza, que na ocasião da morte do pai era ainda fruto de uma gestação do casal, receberam as homenagens conferidas ao falecido militar que morreu defendendo a farda da sua corporação, das mãos do então major Raimundo Magalhães, então comandante da 43ª CIPM de Itamaraju, que hoje é tenente-coronel e ocupante do cargo de diretor geral do Colégio Militar Anísio Teixeira, de Teixeira de Freitas. (Por Athylla Borborema). 

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