Bahia lidera número de encalhes de baleias no país nos primeiros meses de 2018

Bahia lidera número de encalhes de baleias no país nos primeiros meses de 2018
18 julho 21:21 2018 Imprimir esta notícia

Este ano, a Bahia registrou nove casos de encalhes de baleias jubarte no litoral. O número corresponde a 43% do total de ocorrências deste tipo registrados em todo o país. O estado, de acordo com informações do projeto Baleia Jubarte, encabeça a lista dos locais com maior número de registros de encalhes, ficando à frente do Rio Grande do Sul, (3), Rio de Janeiro (4), Paraná (2), Espírito Santo (1), Alagoas (1) e São Paulo (1).

A Bahia é líder neste tipo de ocorrência há 13 anos: de 2002 a 2018, o estado se tornou o maior com casos de encalhe devido à extensão da costa litorânea. A tendência, de acordo com pesquisadores do projeto, é que este número cresça ainda mais nos próximos meses, quando têm início o período de reprodução dos animais, que abrange o inverno e a primavera. A estimativa é que esse número possa chegar a aproximadamente 100 animais encalhados até novembro em todo o país.

O encalhe, de acordo com o pesquisador Hernani Ramos, integrante da equipe de resgate de mamíferos marinhos do Baleia Jubarte, são causados pelos impactos humanos e podem comprometer a viabilidade da população da espécie se eles não forem identificados. As principais ocorrências envolvem o emalhamento das baleias em redes de pesca e a colisão com embarcações.

“Um número importante de animais encontrados mortos nas praias apresenta marcas de emalhamento em redes de pesca. Há também o risco de traumas com grandes embarcações, principalmente onde as rotas de navios que demandam portos, cruzam as áreas de concentração das jubartes, e mesmo o ruído de determinadas atividades, como prospecção sísmica, podem trazer problemas para a espécie”, explicou o pesquisador.

Ainda segundo Ramos, são raros os casos em que as baleias encalham vivas nas praias. Durante este tipo de ocorrência, segundo ele, o desafio dos pesquisadores é mover os animais sem feri-los.

“O desencalhe de uma baleia viva é uma ação que envolve muitos riscos, tanto de ferimentos provocados involuntariamente pelo animal, como a aquisição de doenças ao entrar em contato com o mesmo e com o spray de sua respiração. Por isso, essas tentativas devem sempre ser realizadas sob orientação especializada”, alertou.

Apesar dos riscos, o projeto aponta a ocorrência de encalhe como um sinal de que o litoral brasileiro se configura como um local livre de riscos de matança, prática comum no país até a segunda metade do século XX, e que quase a levou a espécie à extinção.

“De uma população que, na virada do século, era de apenas cerca de 3 mil baleias, o projeto estima, hoje, que este número chegue a 20 mil animais”, disse o pesquisador.

Ainda de acordo com dados do projeto Baleia Jubarte, os encalhes nessa temporada não ameaçam para a recuperação da espécie nas águas do litoral brasileito.

Atração turística

No final deste mês, as baleias-jubarte viram atração no Arquipélago de Tinharé, no município de Cairu, entre as ilhas de Morro de São Paulo e Boipeba. No local, é possível agendar passeios de observação para acompanhar acrobacias e saltos, nos quais as baleias chegam a expor até dois terços do corpo.

O passeio para observação de baleias sai de Morro de São Paulo e Boipeba, às terças, quintas e sábados, das 9h com retorno às 13h. Antes da saída para o mar, biólogos realizam uma palestra para orientar a população. Diversas agências oferecem o serviço. (G1 Bahia)

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