“Concreto Quase”, de Fabiano Novais, é uma ficção de grande valor para a Literatura

“Concreto Quase”, de Fabiano Novais, é uma ficção de grande valor para a Literatura
07 maio 00:51 2016 Imprimir esta notícia

Caíram-me às mãos um livro denominado “Concreto Quase”, escrito pelo médico oncologista e ginecologista Fabiano Novais, um teófilo-otonense de nascimento e adotado por Teixeira de Freitas desde 2005. Li o livro em duas assentadas, como diria o mestre poeta Almir Zarfeg, meu ídolo. E resolvi devorar o seu livro no último feriadão de Tiradentes.

Cheguei à página 50 enquanto aguardava um delicioso catado de caranguejo na Barraca do Tijolinho, na belíssima orla marítima da cidade de Canavieiras, terra do meu querido amigo Almir Melo Junior, onde o seu pai é prefeito. A outra parte eu concluí quando aguardava uma saborosa mariscada numa barraca na praia da Concha, em Itacaré.

“Concreto Quase” de Fabiano Novais, eu devo confessar, há muito tempo não me caía às mãos uma obra tão valiosa escrita por alguém da nossa região. O livro é um mel para se lamber, é um copinho de iogurte chegando ao seu final, é um deleite de se ler e é uma novela valiosa.

Em “Concreto Quase” o leitor é apresentado ao engenheiro Antônio, um homem de 35 anos que foi habituado com a independência e que, hoje, está acamado em estado de fadiga final, que examina sua vida sob um mar de possibilidades e se vê sozinho, sem amor e sem filhos. Expõe sua história comovente de glórias e frustrações de pose nua e crua, marcante e ambientado aos fatos oriundos do seu mundo atual sobre uma cama em nível terminal, arrependido talvez com o que não realizou e proporcionou.

A condição de o autor ser um médico militante ajudou a embelezar a trama deste romance e fantasiar os seus efeitos. Os delírios e os sonhos do engenheiro Antônio, a sua insônia maldita e a sua permanente agonia com o seu estado cagado e fedorento sobre fezes e mais fezes não lhe tiraram o poder da sensibilidade. A sensível condição de avaliar o espírito misterioso do seu enfermeiro e nem deixou de apreciar o carinho e a gostosura da sua empregada doméstica que lida com ele com a mesma naturalidade de antes.

Aquele homem que perdeu o irmão e que acreditava que poderia mudar o mundo, que tinha seus próprios ideais, quase todos destruídos pelo tempo, conseguiu, em sua fase terminal, refletir sobre o grande amor que sentiu por Mônica e quis entender porque fracassou mais uma vez na arte de conquistar e promover o amor. Tudo passou e lhe restou apenas a certeza que tardiamente lhe mostrava que a vida foi feita para se viver e não para ser dotada de razões e mais razões.

Foi show de bola me deparar com “Concreto Quase”, que merece todos os elogios, de tamanha riqueza literária e de maior talento literário é o seu autor Fabiano Novais. Por falar em prosa, me foi ainda apresentado o seu livro de crônicas “de médico e louco” de grande valor para a literatura e dele elegi as minhas preferidas, tais quais “Gêneses”, “Diário de um Calouro” e “A Academia”. Ao confrade Fabiano Novais os nossos cumprimentos pela qualidade das suas obras e sua importância para a literatura, fez por merecer uma titularidade na Academia Teixeirense de Letras. (Por Athylla Borborema).

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