Delação: Rui afirma que está com “a consciência tranquila”

Delação: Rui afirma que está com “a consciência tranquila”
13 dezembro 09:29 2016 Imprimir esta notícia

Um dos citados na deleção do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho como beneficiário de um repasse de R$ 10 milhões para sua campanha em 2014, o governador Rui Costa (PT) disse, nesta segunda-feira, 12, que “está com a consciência tranquila” e definiu como “aberrações” as acusações do executivo.

O delator disse que Rui teria recebido a ajuda da construtora depois de ter solucionado, quando secretário da Casa Civil, uma disputa judicial da Companhia de Engenharia Ambiental e Recursos Hídricos da Bahia (Cerb) envolvendo a Odebrecht e o governo do Estado.

“Algumas das coisas que ele (Melo filho) disse são completos absurdos. Secretário da Casa Civil não é responsável por acordo judicial de ação transitado e julgado. Quem é responsável é a Procuradoria do Estado. É de uma aberração sem tamanho a especulação disso, vincular o processo transitado e julgado, em que o que foi pago é cinco ou seis vezes menos do que o valor do acordo e quem conduziu não foi o secretário, foi a Procuradoria do Estado. São aberrações, e com fé em Deus a verdade vai se estabelecer”, afirmou Rui.

O petista informou que não tinha relações com Claudio Melo Filho, com quem se encontrou poucas vezes de forma institucional, negou a existência de acordos com construtora ou a existência de caixa dois na campanha eleitoral.

O ex-governador Jaques Wagner (PT), segundo afirmou o executivo da Odebrecht em sua deleção, teria recebido doações da construtora no valor de R$ 10,5 milhões nas campanhas de 2006 (R$ 3 milhões) e de 2010 (R$ 7,5 milhões).

Abalo na política

O prefeito ACM Neto (DEM), que teve alguns dos correligionários citados nesta delegação, como os deputados federais José Carlos Aleluia (DEM), que teria recebido R$ 300 mil, e Cláudio Cajado (DEM), com recursos de R$ 305 mil, disse que a política no Brasil está “abalada” com as revelações, mas que não iria fazer “prejulgamentos”. Ele defendeu que o momento é de “serenidade”.

“Precisamos ter serenidade para que se apure tudo. Do vereador ao presidente todos deverão ser investigados. É fundamental que a gente tenha consciência que o Brasil tenha o mínimo de estabilidade. Isso não significa comprometer nenhuma investigação, não. Significa termos responsabilidade para superar esta crise econômica sem precedentes”, afirmou Neto.

O prefeito disse esperar que tanto o Ministério Público quanto o Judiciário tenham um braço para apurar tudo. Até mesmo em benefício de quem foi citado e não tenha cometido nenhum ato ilícito”.

Questionado sobre pesquisa Datafolha divulgada no final do semana em que 63% dos entrevistados se mostra favorável a uma renúncia do presidente Michel Temer, o prefeito disse que o era contra “depor” o governo. “O caminho, agora, é de tentar levar o País para além das diferenças políticas, partidárias e eleitorais”, defendeu Neto. (A Tarde)

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