Denúncia Grave: Oftalmologista se passa por médico obstetra e e mata sua paciente em Prado‏

Denúncia Grave: Oftalmologista se passa por médico obstetra e e mata sua paciente em Prado‏
31 maio 20:40 2016 Imprimir esta notícia

O Jornal Alerta de Teixeira de Freitas, o maior veículo da comunicação imprensa e de circulação dirigida do extremo sul do Estado, trouxe uma grave denuncia na sua edição nº 1710, deste domingo (29/05). O jornal denuncia que o médico que promoveu o parto que terminou ceifando a vida de uma repórter na cidade de Prado no último dia 27 de abril, não era um médico obstetra e sim um oftalmologista. Acompanhe a matéria na integra:

A morte da jornalista Mônica Garcia Dallapicola, 34 anos, teve repercussão estadual, após o registro da sua morte no dia 27 de abril deste ano, durante o procedimento médico de parto cesáreo e laqueadura, no Hospital da Associação Beneficente São Pedro (ABESP), em Prado, ela veio a óbito. O esposo Diógenes Marques Cunha que é bacharel em direito e dono do portal de notícias Primeiro Jornal, inconformado com a perda prematura, buscou mais informações sobre o caso e, descobriu que o médico que fez o parto é especializado em oftalmologia, e tomou as devidas providências jurídicas.

O médico Victor Orlando da Rocha Macedo formou-se pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) no ano de 1981. No estado carioca, o CRM dele é o 384524/RJ., e trabalhava como oftalmologista. Em Alto Paraíso de Goiás atuou como médico clínico-geral, sob o CRM 10679/GO., mesma função desempenhada no Distrito Federal, com o CRM 14732/DF. Na Bahia, o CRM do médico Victor Macedo é o 25710/BA e não consta registro de especialidade. Em virtude da repercussão da morte da jornalista, o médico foi afastado do cargo de obstetra, que ocupava no município do Prado. De acordo com a Secretaria de Saúde de Itamaraju, o médico, que atuava como clínico geral, também não está mais atuando.

Há cerca de um mês, Victor Orlando da Rocha Macedo começou a trabalhar em Porto Seguro, como pessoa jurídica, e lá, assim como em Eunápolis, continua atuando como médico obstetra. “Salta aos olhos a falta do registro da especialidade médica obstetrícia no cadastro dele junto ao Conselho Federal de Medicina. Um erro ou a falta da especialidade, de fato? Não sendo especialista nessa área, jamais poderia realizar os procedimentos que, há anos, desempenha e, tudo indica, foi fundamental no procedimento que levou à morte da minha esposa”, disse o marido Diógenes Cunha.

Diógenes ainda ressalta que a vida de muitas outras pessoas podem ter se perdido e, por falta de informação, famílias ainda choram caladas em relação à triste estatística de erros médicos. Denunciado no Conselho Federal de Medicina (CRM), no Ministério da Saúde e na Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), o médico ainda deve responder a processo criminal de homicídio culposo.

Entenda o caso

A morte de Mônica Garcia Dallapicola, aconteceu no dia 27 de abril, durante o procedimento médico de parto cesáreo e laqueadura, no Hospital da Associação Beneficente São Pedro (ABESP), em Prado. A causa morte determinada pelo Instituto Médico Legal (IML) apontou anemia aguda (perda de sangue) e atonia uterina (hemorragia provocada pelo útero). O parto começou às 09h da manhã e o falecimento foi anunciado pelo médico às 16h30.

Durante esse tempo, a jornalista lutou pela vida, sem reposição de sangue e com hemorragia interna. Nesse cenário, não havia a mínima chance de sobrevivência. O procedimento foi realizado pelo médico Victor Orlando da Rocha Macedo (CRM 25710). A decisão do médico em não fazer a transferência para outra unidade (seja pública ou particular) e em não providenciar bolsas de sangue, nem reabrir a paciente para retirada do útero (procedimento conhecido como histerectomia), são apontadas como negligência e imperícia e preenchem os fundamentos para uma ação na justiça por crime de homicídio culposo (quando não há intenção de matar, mas assume o risco por negligência, imperícia ou imprudência).

“O médico repetia insistentemente que minha esposa tinha uma saúde de ferro e um coração muito forte. Estaria ele surpreso dela ter aguentado mais de sete horas após o início do parto nessas condições”, disse. O médico participou do último concurso público realizado pela Prefeitura de Eunápolis, no ano de 2015, e não conseguiu atingir a nota mínima de classificação (50%). Somou apenas (42,5%) e foi desclassificado. “O que chama atenção que o médico formado há 35 anos tenha acertado apenas 07 das 20 questões, justamente em conhecimentos específicos da área médica, onde atua no dia a dia, labutando com vidas humanas”, acrescentou.

A repórter fotográfica Mônica Garcia Dallapicola, 34 anos, era diretora do portal de notícias Primeiro Jornal, no qual trabalhava como parceira do seu esposo Diógenes Cunha. No procedimento cirúrgico que lhe ceifou a vida, a sua filha recém nascida “Lisbella” sobreviveu. Mônica ainda deixou um casal de filhos, Layslla e Yago. (Por Jornal Alerta).

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