Depois de Itabuna a Nestlé fechará sua unidade do Distrito Industrial de Teixeira de Freitas

Depois de Itabuna a Nestlé fechará sua unidade do Distrito Industrial de Teixeira de Freitas
19 novembro 18:03 2015 Imprimir esta notícia

A Nestlé, que há décadas contribuiu para o desenvolvimento das propriedades rurais por meio de diversas ferramentas e programas no extremo sul da Bahia, região com a maior bacia leiteira do Estado – está fechando agora no mês de dezembro as suas portas na compra de leite na região, por meio da sua unidade situada no Pólo Agro Industrial em Teixeira de Freitas.

Por meio da DPA (Dairy Partners Américas – “Parceiros em Laticínios nas Américas”), a Nestlé sempre procurou contribuir para o desenvolvimento das propriedades rurais e cooperativas parceiras. O Serviço ao Produtor de Leite DPA (SPL) sempre proporcionou melhorias em qualidade, rentabilidade e sustentabilidade das fazendas, por meio de várias iniciativas.

No início deste ano a Nestlé anunciou a desativação da sua unidade de compra de leite e passou a fabricar soro de leite em pó (Substituindo o leite in-natura com soro de leite em pó em seus produtos lácteos), despertando na população a indagação: De onde vem a água para fazer a mistura do soro de leite em pó com o chocolate, transformando em bebida láctea? Ao saber que Itabuna não tem água nem para a sua própria população, sendo que o rio Cachoeira é inviável para o consumo, por causa do seu alto índice de poluição.

O fechamento em junho de 2015 da unidade da Nestlé em Itabuna pegou a todos de surpresa com a suspensão da compra de leite na região. A partir de março de 2015 a Nestlé começou a diminuir o preço do leite de maneira que se tornou inviável a produção de leite para toda a região, consequentemente abrindo caminho a sua concorrente, sediada no município de Ibirapuã. Produtores, associações, cooperativas e fazendas que fizeram investimentos, a exemplo da propriedade da família Palmeira, em Itororó, onde mais de 100 produtores se prepararam para aumentar a capacidade de fornecimento de leite, sofreram o prejuízo.

Conforme o pecuarista Paulo Palmeira, no setor leiteiro, quanto maior a oferta de produtos no mercado, menor a demanda por parte das empresas, ou seja, muitos produtores produzindo leite e pouquíssimos compradores de leite na região, o que pode formar um monopólio. A Nestlé alega que a paralisação de suas atividades na aquisição de leite in-natura seria para assegurar a competividade e acelerar a eficiência da unidade da Fabrica em Itabuna. Que a “descontinuação” na compra de leite fresco de produtores do Estado da Bahia, significa que os mesmos vão deixar de vender para ela, mas serão absorvidos por outras empresas que atuam na região.

Realmente parte dos produtores já foi contatada a fim de transferir a produção para os novos compradores. Embora, exista parte que não vai ter para quem vender o leite e estará com um problema e tanto nas mãos e o fechamento da unidade em Teixeira de Freitas preocupam quem vive da pecuária na região. A empresa ainda não se pronunciou sobre o fechamento da sua unidade no Distrito Industrial de Teixeira de Freitas, onde aproximadamente 200 produtores de leite comercializam a produção de leite diretamente com a Nestlé.

O administrador de empresas Sergio Moitinho, responsável pela logística da Nestlé em Itabuna até o mês de junho de 2015, relata o drama vivido pelos produtores de leite, trabalhadores do setor e o pessoal da logística, na região Sul da Bahia. E alerta que a região extremo sul sofrerá as mesmas consequências nos próximos dias com o encerramento das atividades da Nestlé em Teixeira de Freitas. Quando o maior prejuízo não será somente dos produtores que pararam de fornecer para a Nestlé, tão pouco dos cerca de 50 pais de famílias desempregados, mas outras centenas de famílias que lidam diretamente com a extração e com o transporte do leite no dia a dia na região.

O agropecuarista Orlindo Chaves “Lozinho” do município de Itamaraju, salienta que a Nestlé comprou leite a vida toda na região e fez o que bem quis com o produtor rural, mantendo o preço defasado e sem nunca apresentar uma proposta agradável aos pecuaristas. E ultimamente a empresa apertou a desvalorização do leite para forçar os pecuaristas a se afastarem dela, uma forma legítima que ela achou para deixar a região sem nenhuma culpa fiscal e empresarial. “Lozinho” informa que igualmente outras dezenas de pecuaristas dos municípios do extremo sul, ele também deixou de fornecer leite a Nestlé desde a última terça-feira (17/11) e agiu antes que fosse pego de surpresa.

Segundo o administrador de empresas Sérgio Moitinho é necessário uma maior fiscalização dos organismos competentes diante dos argumentos apresentados pela Nestlé que está diversificando sua linha de produção, conseguindo milhões de reais do BNDS através da SUDENE no Nordeste do Brasil com o anuncio de financiar projetos para empresas do interior do nordeste e começa fazer o contrário, fechando suas unidades regionais com demissões em massa.

Sérgio Moitinho ressalta que já está formando um grupo de produtores da região objetivando atrair empresas do sul e do sudeste do país para compra do leite local, temendo a instalação de um monopólio e o fracasso econômico da bacia leiteira do extremo sul. (Por Athylla Borborema)

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