Laudo Médico mune advogado a afirmar que casal preso é inocente pela morte do filho bebê em Prado

05 dezembro 09:20 2016 Imprimir esta notícia

Estão presos no Complexo Policial da 8ª Coordenadoria Regional da Polícia Civil de Teixeira de Freitas, desde o último dia 9 de novembro, os acusados Jorge Mendes Carneiro Junior, 41 anos e a sua esposa Erisângela Santos Silva, 38 anos. O casal foi preso por força de um mandado de prisão temporária decretado pelo juiz Leonardo Santos Vieira Coelho, da comarca de Prado, no último dia 8 de novembro, que atendeu uma representação do delegado Júlio César Teles, presidente do inquérito policial que apura a morte do bebê Pedro Silva Carneiro, de 9 meses de idade, filho do casal preso.

A morte do bebê ocorreu na tarde de sábado do último dia 29 de outubro, quando o casal apresentou a UPA 24h da cidade de Prado, o corpo do filho, alegando que ele havia caído da porta traseira da caminhonete, após o bebê ter saído da cadeirinha do “bebê conforto” que não estava travada e apenas segura pelo cinto de segurança. E, depois destravado a porta traseira do veículo, modelo Caminhonete Hilux, ano 2008, e após a mãe ter visto a porta aberta, teria gritado: “Jorge a porta abriu” e ele freou o carro bruscamente e a porta se abriu completamente, indo a porta ao canto. E teria sido no momento da freada que a criança caiu ou foi arremessada pelo lado de fora, sofrendo uma violenta queda.

O advogado criminalista Gean Prates, que defende os interesses do casal, disse que não existe a necessidade de manter os pais presos, porque o casal sempre contribuiu com a Polícia Judiciária sempre que foi preciso. E que os fatos narrados pelo casal são evidentes e possíveis de terem ocorrido. E que o caso contado dando conta que o pai da criança já havia agredido o bebê aos 7 meses de idade na cidade de São Félix do Coribe, no oeste da Bahia, não procede, não se prova e não passou de uma informação deturpada e desnaturada.

O advogado Gean Prates se munia em dizer que o laudo médico legal com o resultado colhido na exumação cadavérica, divulgado nesta sexta-feira (02), é a prova que o casal não matou o seu próprio filho. Para ele, o que houve foi negligência dos pais por não ter tomado os cuidados necessários, por exemplo, deveria ter travando devidamente o “bebê conforto” da criança, sabendo que o carro é básico, semi-automático, possui travas parciais e já tem quase 8 anos de uso.

Para a família, uma vez solta na cadeirinha, seria notadamente possível sim a criança ter saído do “bebê conforto” e destravado o carro e sido arremessado com a freada, porque tratava-se de um bebê de 12,5 quilos, com muita força e extremamente sapeca, acostumado a puxar e a derrubar objetos pesados. O exame de medicina legal do Instituto Médico Legal de Teixeira de Freitas na ocasião constatou fraturas na cabeça da criança que lhe causou a morte e o laudo assinado pela médica legista Elizabete Barbosa que liderou o trabalho na época no IML, define como lesões características de acidente de veiculo.

Mas o delegado Júlio César Teles, presidente do inquérito, requereu uma nova perícia médica no corpo do bebê objetivando esclarecer dúvidas e a exumação aconteceu na terça-feira do último dia 22 de novembro, no Cemitério Santos Cosme e Damião, na cidade de Itamaraju, onde o bebê foi sepultado. Os novos trabalhos foram liderados pelo perito médico legal revisor Welson Jorge Nascimento, um dos mais renomados e requisitados médicos legistas da Polícia Civil da Bahia.

O laudo concludente da perícia na exumação foi entregue ao delegado do caso, na manhã desta última sexta-feira (02/12), e trouxe um resultado semelhante ao do primeiro laudo de medicina legal. O laudo diz que o bebê teve sua causa morte decorrente de duas lesões na cabeça, uma na região temporal esquerda (acima da orelha) e outra na região parietal (nuca), além de uma terceira fratura na mandíbula (a Mandíbula forma a parte inferior da cabeça, que por vezes se usa a palavra externa de maxilar ou queixo). Foi constatada estrutura óssea quebrada e trincada e, não mutilação, o que caracteriza realmente a possível queda por acidente de trânsito ou por objeto capaz de ter agido traumaticamente sobre o corpo do bebê.

O perito médico legal Welson Nascimento disse ao Teixeira News, que as lesões ósseas encontradas no corpo do bebê não têm como definir e nem afirmar se a criança foi vítima de violência humana, apenas podendo afirmar que o bebê teve causa morte por instrumento contundente. (O que pode ter sido por uma queda, acidente de trânsito, arremessamento ou lesões produzidas por pressão da força).

O delegado Júlio Teles aguarda o laudo concludente da perícia criminal em relação à Reprodução Simulada que ocorreu na manhã de terça-feira do último dia 29 de novembro, na estrada da Praia da Paixão, onde os pais relatam que ocorreu o acidente. Quem liderou o trabalho pericial foi o perito criminal Bruno Melo, do Departamento da Polícia Técnica de Teixeira de Freitas, outro renomado e respeitado perito dos quadros da Polícia Civil da Bahia.

Na próxima sexta-feira, dia 8 de dezembro, completa 30 dias que o casal Jorge Mendes Carneiro Junior, 41 anos e a sua esposa Erisângela Santos Silva, 38 anos está preso por conta da prisão temporária, embora a prisão vence no dia anterior. O delegado Júlio Teles já informou na noite do último sábado (03) durante a perícia no carro dos acusados, que independente da chegada dos laudos de criminalísticas, ele pretende concluir e remeter o inquérito do caso a justiça ainda esta semana, antes do vencimento da prisão provisória que termina no próximo dia 8 de dezembro. (Por Athylla Borborema).

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