Liberação de emendas para capixabas foi 4 vezes maior após caso JBS

18 julho 11:21 2017 Imprimir esta notícia

Em uma tentativa de aceno aos parlamentares federais, que estão incumbidos de votar o prosseguimento da denúncia de corrupção passiva do presidente Michel Temer (PMDB) e a reforma da Previdência, projeto considerado crucial pelo Planalto, o governo federal liberou R$ 89,7 milhões em emendas para os deputados federais e senadores capixabas, desde que a delação da empresa JBS veio à tona, no dia 17 de maio.

Antes disso, desde janeiro, a liberação havia sido de R$ 22,7 milhões. Os números são referentes ao atual exercício financeiro, aos restos a pagar, que são valores de outros anos que já estavam autorizados, e a valores empenhados, que são compromissos de pagamento feitos pelo governo.

O levantamento foi feito com base nos dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), que acompanha as contas do governo em tempo real, com informações até o dia 13 de julho.

Após a divulgação do processo de delação do empresário Joesley Batista, dono da JBS, quase todos os membros da bancada capixaba passaram a ter as emendas autorizadas em maior velocidade. A diferença entre os valores disponibilizados em cada período foram de pelo menos R$ 3,18 milhões a mais. A única exceção foi o deputado Evair de Melo (PV), que recebeu mais recursos antes da delação do que depois dela.

A liberação de recursos não é exclusividade para os capixabas. Levantamento do jornal “O Globo”, do último fim de semana, mostrou que só nas duas últimas semanas, o presidente concentrou o anúncio de programas e concessão de verbas que chegam a R$ 15,3 bilhões para Estados e municípios, em um sinal à base aliada.

Cada parlamentar pode apresentar até 25 emendas ao orçamento da União, por ano. Em algumas ocasiões, o Planalto tenta utilizar a liberação desses valores como moeda de troca para garantir apoio no Congresso. O dinheiro é o principal recurso destinado aos parlamentares para que eles possam viabilizar obras e benfeitorias em seus redutos eleitorais.

ACELERAÇÃO

O senador Ricardo Ferraço (PSDB) foi o parlamentar capixaba que teve o maior valor liberado em emendas este ano, somando R$ 15,8 milhões. Ele foi o relator da reforma trabalhista no Senado, e nega que o ritmo acelerado de liberação de verbas tenha sido uma forma de barganha.

“Eu sou uma pessoa completamente independente. Defendo publicamente que meu partido inclusive deixe de fazer parte do governo Temer, entregue os ministérios. Considero um fato normal. O que fiz na votação da reforma foi por convicção”, afirmou.

A senadora Rose de Freitas (PMDB) também negou que haja essa relação. “O recurso está lá disponível, e a gente tem que brigar por ele. Confundir tudo com uma troca de favores é medíocre. Eu não vivo somente desse recurso de emendas. Elas são só R$ 15 milhões por ano. Do ano passado até agora, já consegui R$ 108 milhões só para a saúde. O que tem a ver JBS com o trabalho que eu faço?”, argumentou. (A Gazeta)

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