PM expulsa presidente de associação por envolvimento em greve no ES

17 novembro 11:25 2017 Imprimir esta notícia

O comando da Polícia Militar expulsou o primeiro presidente de uma associação da categoria por participação na greve realizada em fevereiro deste ano. Trata-se do soldado Maxson Luiz da Conceição, que preside a Associação Geral dos Militares do Espírito Santo (Agem). Pelo mesmo motivo ele chegou a ser preso em março, mas foi liberado pela Justiça.

A conclusão da Corregedoria da PM, é de que, em tese, ele desrespeitou o regimento da corporação. Dentre os motivos destacados está o ato de “publicar ou contribuir para que sejam publicados fatos, documentos ou assuntos que possam concorrer para o desprestígio da corporação ou firam a disciplina ou a segurança”. Também foi apontado que ele teve “conduta incompatível com os princípios da hierarquia, ética e valores militares”, é descrito no documento.

exdMaxson, logo após o movimento grevista, respondia a um Procedimento Administrativo Disciplinar por rito sumário (PAD-RO), destinado a policiais com menos de dez anos na PM. Foi esta investigação que culminou em sua expulsão. Contra ele ainda pesam investigações decorrentes de crimes militares, na área penal. Foi uma destas ações que resultou em sua prisão. Posteriormente ele foi liberado por outra decisão judicial.

O levantamento realizado pela Corregedoria relata ainda que o soldado Maxson “incitou os policiais militares ao aquartelamento por meio de vídeos e postagens em redes sociais”. Em um destes vídeos ele teria informado que a greve se estenderia para outros estados. E mais, que seria desfavorável a um acordo entre o Governo do Estado e os militares. “Todos esses vídeos circulam em redes sociais, estimulando e incitando a paralisação”, destaca o texto da Corregedoria.

O documento conclui ainda que a atuação de Maxson no movimento “dificultou a negociação entre o Governo e os familiares de policiais, com a intenção de fortalecer a sua associação frente as demais associações de policiais militares”, diz o texto.

DEFESA

Para o advogado Leonardo Loiola Gama, que faz a defesa do soldado Maxson, a expulsão do militar “é uma questão política, uma escolha política de quem seria acusado”. Ele assinala que não há provas de que ele tenha incitado o movimento grevista. “Quando o movimento começou ele estava na Argentina, com a esposa, chegou quando os fatos já tinham começado e, por ser presidente da Agem, passou a acompanhar e noticiar o que estava acontecendo”, relatou.

Além do PAD-RO, Maxson também responde a ações penais. Uma delas resultou em sua prisão. “Ele foi o primeiro a ser solto. Em sua decisão, ao conceder o Habeas Corpus, o Tribunal de Justiça concordou que não haviam indícios de sua participação e de sua autoria no movimento” revela o advogado.

Loiola já recorreu à Justiça, novamente, com um mandado de segurança pedindo a suspensão dos efeitos do PAD-RO e da expulsão do militar. “Não há participação dele em nenhum ato”, garante. (Informações: A Gazeta)

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