Quase oito anos após o crime, acusado de assassinar mãe e filho vai a júri popular em Mucuri

Quase oito anos após o crime, acusado de assassinar mãe e filho vai a júri popular em Mucuri
Após julgamento de "Clero" (à dir.), agora chegou a vez de "Farofa" (à esq.) sentar no banco dos réus
16 março 11:53 2017 Imprimir esta notícia

Sete anos e 11 meses após o duplo assassinato de Gilrleide Guilherme Silva, de 52 anos e seu filho Crhistian Guilherme dos Santos, 19, execuções ocorridas em  19 de abril de 2009, numa propriedade rural localizada vizinha ao Balneário de Costa Dourada, no litoral sul de Mucuri, está indo a júri popular nesta quinta-feira, dia 17 março,  Juscelino Amelentino dos Santos, o “Farofa”, acusado de cometer a barbárie. A mulher foi abatida com um tiro no tórax e o filho dela acabou executado com um tiro nas costas.

O acusado de ser o mandante do crime, Antônio Clero Barreiros dos Santos, o “Clerão”, já foi submetido a júri popular em uma das sessões mais longas da história da Bahia, que começou às 11h30 de quarta-feira (03/08/11) e terminou às 08h30 de sexta-feira (05/08/11). Clero, esposo de Gilrleide e pai de Crhistian, foi condenado a 30 anos e 4 meses de prisão em regime fechado e continua cumprindo a pena no Co Conjunto Penal de Teixeira de Freitas (CPTF).

Juscelino Amelentino dos Santos,  o “Farofa”, não havia sido julgado ainda porque seus advogados alegaram insanidade do mesmo, mas após ser submetido aos exames médicos ficou constatado que  ele  goza de plena capacidade mental. O julgamento está sendo presidido pelo juiz Felipe Remonato, titular da comarca de Mucuri.

Investigação

Nas investigações realizadas à época, a polícia concluiu que “Clero” estaria com problema com a esposa por desconfiança de adultério por parte dela e que teria tido um problema de desentendimento com o filho, por entender que ele estivesse protegendo a mãe e também não queria que o jovem recebesse qualquer herança da família, por isso contratou “Farofa” pela quantia de R$ 1,5 mil para matar os dois

Entenda o crime

O delegado titular da Polícia Civil no município de Mucuri à época, Sanney Simões, concluiu as investigações e prendeu os autores do crime na manhã de sábado, dia 18 de janeiro de 2010, em torno da ocorrência de um duplo homicídio em que foram executados mãe e filho, na propriedade rural da família, no sítio São Rafael, na Praia do Josué, no balneário da Costa Dourada, litoral sul de Mucuri, no dia 19 de abril de 2009.

E depois de 18 meses de investigações, inclusive com a realização da reconstituição do crime com a participação do marido e pai de uma das vítimas, o delegado Sanney Simões chegou na conclusão dos fatos e pediu na justiça pela prisão do agricultor Antônio Clero Barreiros dos Santos, o “Clero”, 58 anos, e do pistoleiro Juscelino Amelantino dos Santos, o “Farofa”, 40 anos, mandante e executor, respectivamente.

Os mandados de prisão preventiva foram decretados pelo juiz Eduardo Gil Guerreiro, titular de Nova de Viçosa e substituto da comarca de Mucuri. E munido dos mandados de prisão, o delegado Sanney Simões prendeu os acusados em duas diligências, entre a madrugada de sexta-feira (17) e madrugada de sábado (18), daquele mês de dezembro de 2010.

As vítimas foram Gilrleide Guilherme Silva, 52 anos, e seu filho Crhistian Guilherme dos Santos, 19, encontrados mortos no terreiro da casa do sítio onde moravam. A mulher foi abatida com um tiro no tórax e o filho Crhistian foi executado com um tiro no alto das costas e seu corpo foi encontrado próximo a uma cerca, por ocasião dos crimes em 19 de abril de 2009.

Mas foi o depoimento confuso do agricultor Antônio Clero Barreiros dos Santos, o “Clero”, 58 anos, que fez a polícia passar a desconfiar dele desde o primeiro momento. Ele disse em seu depoimento por ocasião do duplo homicídio que estava em casa com a esposa e com o filho, quando apareceu um homem armado dizendo que era um assalto, que teria entrado em luta corporal com o bandido e quando avistou um segundo homem, teria corrido da cena do assalto, por entender que não venceria a luta com dois homens. Tendo corrido em direção à praia, atravessado um riacho, passado por um mangue, atravessou uma lagoa de restinga e 1 km após, parou na casa de uma família conhecida sua.

Mas o delegado Sanney Simões não conseguiu acreditar que uma pessoa corresse tanto de um assaltante e nem que homem nenhum seria capaz de fugir de uma cena de assalto deixando a esposa e o filho no fogo cruzado. A partir daí várias oitivas foram colhidas do acusado e muitas pessoas foram ouvidas e muitas rotinas acabaram refeitas para se buscar base no esclarecimento do crime.

Mas a polícia descobriu que “Clero”, estaria com problema com a esposa por desconfiança de adultério por parte dela e que teria tido um problema de desentendimento com o filho, por entender que ele estivesse protegendo a mãe. Embora os fatos não se comprovasse, além das informações extra-oficiais, as contradições do acusado fizeram a Polícia Civil chegar ao criminoso e ao motorista que levou o executor ao local do duplo assassinato.

Embora não tenha tido participação no duplo homicídio, a Polícia Civil de Mucuri identificou um sobrinho de “Clero”, que dirigiu o carro que levou o matador Juscelino Amelantino dos Santos, o “Farofa”, 40 anos, ao local do crime. O sobrinho do mandante teria ficado numa praia tomando conta do carro até que o mandante e o assassino fossem ao sitio onde estava a família. E no retorno teriam confessado o duplo assassinato ao motorista que levou somente “Farofa” de volta. Já “Clero”, teria ficado na praia para simular o assalto.

O delegado Sanney Simões disse na época ter certeza que “Clero” estava no local e acompanhou a execução da esposa e do filho. Talvez ele só mataria a esposa, e o filho teria chegado na hora errada e morreu por ter tentado proteger a mãe, ou o duplo homicídio estava realmente nos planos do mandante. Segundo a polícia, “Farofa”, recebeu de “Clero”, a quantia de R$ 1,5 mil por ter cumprido a “empreitada” de matar a esposa e o filho do mandante. (Por Ronildo Brito)

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