Traficantes que mataram uma jovem de Eunápolis são condenados a 17 anos de reclusão no Tribunal Júri em Teixeira de Freitas

Traficantes que mataram uma jovem de Eunápolis são condenados a 17 anos de reclusão no Tribunal Júri em Teixeira de Freitas
15 abril 11:29 2016 Imprimir esta notícia

O juiz Argenildo Fernandes dos Santos, titular da Vara da Infância e Adolescência e substituto da Vara de Execuções Penais da comarca de Teixeira de Freitas, presidiu nesta quinta-feira (14/04), o Júri Popular que levou ao banco dos réus, a pessoa de Luiz Silva de Souza, o “Lula”, 26 anos, acusado de ter sido o mandante e presenciado a execução da sua própria namorada, uma jovem do bairro Juca Rosa em Eunápolis, Adriana Santos de Jesus, 18 anos, que foi morta com dois tiros na cabeça no dia 2 de março de 2012, à beira de um lago na zona sul de Teixeira de Freitas.

Sentou-se também no banco dos réus o executor do crime, Edson Rocha de Oliveira Filho, o “Choque”, hoje com 24 anos, morador do bairro Parque da Renovação em Eunápolis, que foi julgado na mesma sessão do Tribunal do Júri. O julgamento começou às 8h30 e só terminou às 20h. O evento foi acompanhado por familiares dos autores e vítima e, principalmente por pessoas da comunidade e acadêmicos do curso de direito das faculdades FASB e Pitágoras.

Na acusação atuou o promotor de justiça Gilberto Ribeiro de Campos, representando o Ministério Público, que defendeu a tese de condenação para ambos os réus por crime de homicídio com as qualificadoras de motivo torpe e à traição mediante dissimulação que dificultou e tornou impossível a defesa da vítima (Artigo 121, § 2º, Incisos I e IV do CPB).

Na defesa do réu Luiz Silva de Souza, o “Lula” atuaram os advogados Shirllei Menezes e Antonio Michel Menezes Silva que defenderam a tese de negativa de autoria. Na defesa do réu Edson Rocha de Oliveira Filho, o “Choque” atuaram os advogados Henrique Cardoso e Lívia Wardi, que defenderam a tese de prática de homicídio simples.

O conselho de sentença que representou a vontade da sociedade foi formado por 3 homens e 4 mulheres. Os debates entre acusação e defesa duraram quase 7 horas e no julgamento, a maioria dos jurados votou pela condenação de ambos os réus, acompanhando a tese apresentada pelo Ministério Público Estadual, representado na acusação pelo promotor de justiça Gilberto Campos.

O veredicto final do julgamento foi expedido pelo juiz Argenildo Fernandes já às 20h que passou a divulgar a dosimetria da pena de ambos os réus. O réu Luiz Silva de Souza, o “Lula” que foi condenado por ter mandado matar a sua própria namorada para se livrar de uma dívida de drogas no valor de R$ 6 mil das mãos de um traficante, teve sua pena dosada em 17 anos de reclusão, mas como possui uma ficha pregressa de péssima conduta pela prática de inúmeros crimes contra a sociedade, teve a pena aumentada por mais um ano que ficou em definitiva em 18 anos de reclusão.

Já o réu Edson Rocha de Oliveira Filho, o “Choque” foi condenado a 19 anos de reclusão, mais teve a sua pena diminuída em 2 anos porque foi beneficiado pela Lei em razão da época do crime, ele ter idade inferior a 21 anos, por não ter sido encontrado antecedentes criminais contra a sua pessoa e porque confessou espontaneamente a autoria do assassinato da jovem Adriana Santos de Jesus.

Os advogados Shirllei Menezes e Antonio Michel Menezes Silva que defenderam a tese de negativa de autoria do seu cliente Luiz Silva de Souza, o “Lula” disseram que vão recorrer da sentença. Os advogados Henrique Cardoso e Lívia Wardi, que defenderam a tese de prática de homicídio simples do seu cliente Edson Rocha de Oliveira Filho, o “Choque”, também disseram que vão recorrer da sentença objetivando retirar os dois agravantes da condenação do mesmo.

juri1Entenda o caso

Na tarde de sábado do dia 3 de março de 2012, o corpo de uma jovem de boa aparência, foi encontrado nas proximidades de um lago nos pertences da Fazenda Âncora, proximidades do bairro Liberdade II (bairro Timotão) na zona sul de Teixeira de Freitas, apresentando duas perfurações à bala na cabeça.

Na época o perito criminal Marco Antônio Lima, que procedeu aos trabalhos de criminalística legal na localidade do encontro do cadáver, esclareceu que embora a vítima estivesse trajando roupas de banho, a jovem morreu antes de cair na água e fora abatida com dois tiros, sendo um no olho esquerdo e outro que lhe atingiu a parte superior da cabeça, projéteis extraídos do corpo pelos médicos legistas durante os exames de medicina legal.

Pela rigidez do corpo, o perito atestou na ocasião que Adriana fora morta na noite anterior de sexta-feira (02). Sobre algumas manchas que eram visíveis no corpo da jovem, o perito Marco Antônio Lima relatou que o escurecimento da pele foi em virtude do sol, muito quente na sexta e sábado, dias 02 e 03 de março de 2012.

Na tarde de domingo (04), familiares da moça compareceram ao Instituto Médico Legal de Teixeira de Freitas (IML) e reconheceram o corpo. A vítima tratava-se de Adriana Santos de Jesus, 18 anos de idade, que morava no bairro Juca Rosa, em Eunápolis. Com a família logo a polícia apurou que Adriana saiu de Eunápolis na semana anterior sua morte, dizendo que iria se encontrar com um homem que manteria um relacionamento amoroso em Teixeira de Freitas.

Pelas conversas anteriores da jovem em Eunápolis, familiares da mesma disseram por ocasião, que desconfiam que o suposto namorado dela teria envolvimento com o tráfico de drogas. Logo os policiais civis descobriram com base em depoimentos de populares, que a jovem eunapolitana teria ido ao local onde existe o lago, acompanhada por três homens e outras duas mulheres. Daí a polícia começou a trabalhar para tentar identificar os acompanhantes da vítima no dia do crime.

Treze dias após o crime, o então delegado Wendel Ferreira, deu por esclarecido o assassinato de Adriana Santos de Jesus, informando que o mandante do crime foi o seu próprio namorado, o traficante Luiz Silva de Souza, o “Lula”, também de Eunápolis. E o motivo teria sido uma dívida de R$ 6 mil que o mandante teria contraído com um outro traficante identificado por Willian e como não teria como pagar o valor, teria dito que a droga comprada estava sob responsabilidade da namorada Adriana que teria vendido e gastado o dinheiro e para receber o perdão da dívida, o narcotraficante mandou que “Lula” executasse a própria namorada para provar que estava falando a verdade e, este então mandou que o seu parceiro apelidado por “Choque” também de Eunápolis, executasse a moça, que nada sabia dos planos do namorado.

Na busca por “Lula”, os policiais civis do delegado Wendel Ferreira na ocasião, prenderam na quarta-feira (14/03/2012), Juliana dos Santos Silva, 23 anos, e Jamile Rosa da Silva, 30 anos, em posse de 700 gramas de maconha. Em depoimento à Polícia Civil e entrevista à imprensa, Juliana contou que “Lula” levou a namorada e mais quatro amigos para tomar banho em uma lagoa, declarando que também estava presente e que teria visto quando “Lula” deu ordem para Edson Rocha de Oliveira Filho, o “Choque” para executar Adriana.

Conforme a jovem na ocasião do esclarecimento do crime, a morte de Adriana se deu porque ela estava devendo a quantia de R$ 6 mil para um traficante, identificado por “William”, e o “Choque” teria executado Adriana por determinação do próprio namorado dela, o traficante Luiz Silva de Souza, apelidado por “Lula”, também natural de Eunápolis, que foi obrigado a determinar o crime e ainda presenciou a morte da própria amada a mando do seu chefe, o “William”. Já o matador teria sido realmente a pessoa de Edson Rocha de Oliveira, apelidado por “Choque”, e também conhecido por “Parceiro” e “Marcelo”.

No dia 15 de março de 2012, foi recambiado para Teixeira de Freitas pelo delegado Wendel Ferreira Santos, então titular da Delegacia Regional de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), após sua prisão três dias antes no distrito de Vera Cruz no município de Porto Seguro, o principal acusado de ter matado Adriana Santos de Jesus, 18 anos, a mando do namorado dela, identificado por Edson Rocha de Oliveira Filho, o “Choque”, 20 anos na época.

“Choque admitiu em seu depoimento ao delegado que matou sua namorada a mando do patrão Luiz Silva de Souza, o “Lula”, em razão de uma dívida de drogas que a vítima teria adquirido quando passou a revender entorpecentes para “Lula”, mas, não fez o acerto de contas, salientando que as drogas que “Lula” eram procedente de Eunápolis. Ainda segundo depoimento do homicida confesso, o crime fora de comum acordo entre ele e “Lula”. Afirmando que o namoro com a Adriana era recente, cerca de seis meses, “coisa sem compromisso”, completou.

O plano para matar Adriana

No dia do crime, depois de acertado os detalhes com “Lula”, decidiu por convidar a vítima, juntamente com Juliana dos Santos Silva, a “Rasta”; seu irmão Cristiano dos Santos Silva, o “Peris”; uma adolescente nunca encontrada pela polícia; além do próprio “Lula”, para irem ao local onde o crime ocorreu, nas proximidades de um lago localizado na Fazenda Âncora, próximo ao bairro Liberdade II (Já Jamille não ficou apurado ao certo se ela estava ou não no local do homicídio).

Segundo o assassino, ao chegarem ao local do banho, “Lula” teria recebido um telefonema de sua mulher e retornado imediatamente, e ele, “Choque”, juntamente com os demais, tomaram banho no lago, e, em seguida, o executor mandou que todos saíssem, pois queria ficar a sós com Adriana. Ao se encontrarem sozinhos, “Choque” teria disparado dois tiros na cabeça de Adriana e, depois, saído do local por um atalho.

“Choque” teria contado na ocasião da sua prisão que deu a ordem para que os demais saíssem em razão de não querer o envolvimento de mais ninguém no homicídio de Adriana, pois era uma questão dele e de “Lula”. “Choque” afirmou que nenhum dos que lhes acompanhava sabia que a morte de Adriana já teria sido acertada entre ele e “Lula”.

Ainda em seu depoimento, o acusado admitiu que comercializava drogas em Teixeira de Freitas e que adquiria o entorpecente nas mãos de uma quadrilha de Eunápolis, mas que não tem nenhuma ligação com ela. E também falou no inquérito e reafirmou em juízo que no momento da execução o “Lula” já não estava mais presente.

juri2Presenciou assassinato da própria namorada

Com as prisões de Juliana dos Santos Silva, a “Rasta”, 23 anos, natural de Itagimirim, e Jamille Rosa da Silva, 29 anos, natural de Eunápolis, em posse de 7 tabletes de maconha, pesando, no total, 700 gramas. O delegado Wendel Ferreira descobriu que uma das flagranteadas, a Juliana dos Santos Silva, a “Rasta”, que, inclusive, estava grávida de 7 meses, e com o marido preso também por tráfico de drogas no Conjunto Penal de Teixeira de Freitas, teria participado com seu irmão e outros três elementos da autoria da morte da jovem Adriana Santos de Jesus, 18 anos, na tarde de sexta-feira do dia 2 de março de 2012.

Eles teriam levado a vítima para o lago com a desculpa que iam tomar banho, com a ajuda do mandante do crime, que era o próprio namorado da moça, o qual ainda teria supostamente presenciado a execução. A polícia não teve dúvida de que seis pessoas seguiram para o local onde a vítima foi executada a tiros. Entre elas: a grávida Juliana dos Santos Silva, que estava na companhia do seu irmão Cristiano dos Santos Silva, 21 anos; de uma adolescente de 14 anos, de paradeiro desconhecido; do elemento de nome Luiz Silva de Souza, o “Lula” (namorado da vítima); e do autor dos disparos fatais contra Adriana, Edson Rocha de Oliveira Filho, o “Choque”.

A prisão

“Lula” chegou a ser preso 8 dias após a morte de Adriana por tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo em Teixeira de Freitas, mas acabou pagando fiança e foi solto. E, somente depois da sua libertação, com a prisão de Juliana e Jamile, a Polícia Civil descobriu que esteve com o criminoso nas mãos e não sabia tratar-se do mandante do assassinato da jovem.

O mandante da morte de Adriana, Luiz Silva de Souza, o “Lula”, 23 anos, só foi preso efetivamente no dia 5 de junho de 2012, na Rua Espinhosa, no bairro Liberdade II, zona sul de Teixeira de Freitas. Por ocasião que policiais militares da equipe do tenente-coronel Osíris Cardoso, então comandante do extinto 13º BPM, invadiram um imóvel no intuito de prender um assaltante que havia cometido vários crimes de roubos naqueles últimos dias na cidade utilizando uma arma do cano longo – mas os PMs terminaram se surpreendendo com a presença de “Lula” em posse de uma espingarda de pressão.

O réu “Lula” também já esteve preso em 18 de janeiro de 2007 e em 26 de maio de 2009 por crimes de tráfico de drogas. E atualmente está em curso uma condenação em seu desfavor de 8 anos de reclusão por tráfico de drogas na comarca de Teixeira de Freitas. Por ocasião da sua última prisão em que foi indiciado pela execução de Adriana, “Lula” apresentou nas costas duas enormes tatuagens que chamaram atenção, com os seguintes dizerem: “Dizem que não rezo pelas almas dos meus inimigos, é mentira rezo para que elas queimem no fogo do inferno” e “Para todos que querem o meu mal, trago estampado no rosto o sorriso da morte”. (Por Athylla Borborema).

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