Violência contra jovens em Salvador está concentrada em 37 bairros, aponta pesquisa

Violência contra jovens em Salvador está concentrada em 37 bairros, aponta pesquisa
24 novembro 11:08 2015 Imprimir esta notícia

A violência em Salvador, sobretudo os assassinatos de jovens ocorridos entre os anos de 2010 e o primeiro semestre deste ano, se concentrou em 37 bairros que pertencem às Áreas  Integradas de Segurança Pública de Periperi, no subúrbio ferroviário e Tancredo Neves, com mais de 30% dos cerca de 1,5 mil homicídios ocorridos por ano entre homens com idade de 15 a 29 anos. A informação foi divulgada pela pesquisadora e consultora da ONU Márcia de Calazans, durante a manhã desta segunda-feira (23), na audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado, que investiga os assassinatos de jovens,  realizada em Lauro de Freitas, sexta cidade brasileira a ser visitada pelos parlamentares.

Para Márcia de Calazans, as políticas de Educação, Saúde e Segurança não contribuem para a redução dos indicadores de violência. “Nós avançamos em alguns aspectos como a própria inserção dos jovens negros na sociedade, o aumento da presença deles na universidade, mas isso ainda não foi suficiente para mudar a cruel realidade das periferias”, disse.

Calazans afirmou ainda que a chamada “guerra às drogas” tem fomentado tanto a morte de policiais quanto de jovens negros, com maior volume para os indivíduos que moram na periferia. “Temos uma taxa de 33 mortos para cada grupo de 100 mil habitantes, quando o ‘aceitável’ seria 10 assassinatos para 100 mil pessoas. Em Buenos Aires, que tem mesma população que Salvador, essa taxa é de 6 para 100 mil”, explicou.

Presidente da CPI, a senadora Lídice da Mata (PSB) ressaltou a importância da audiência em Lauro de Freitas. “Foi muito produtivo. Tivemos mais de 300 pessoas e ouvimos 30 depoimentos, bem como os relatos de quatro mães que falaram reservadamente com o relator, senador Lindbergh Farias, que levará daqui uma importante referência para seu relatório final”, avaliou.

Lídice também destacou que a questão essencial que a CPI deve deixar para a sociedade brasileira é que há um racismo institucional no Brasil, que permite que se defina que há territórios suspeitos e não pessoas suspeitas. “Não há traficantes apenas nas comunidades pobres. Nos grandes edifícios em bairros nobres também há. É preciso investigar as operações financeiras cuja origem dos recursos é mal explicada”, concluiu.

Lindbergh Farias, por sua vez, comparou os homicídios registrados no Brasil e disse que o país vive uma guerra não declarada. Segundo ele, o objetivo da CPI é despertar o país  para este tema, visto que a juventude está morrendo pela polícia e pela milícia. (Da redação TN)

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