Almir Zarfeg: Aquele beijo de Carnaval! Oh!

Almir Zarfeg: Aquele beijo de Carnaval! Oh!
07 fevereiro 02:14 2016 Imprimir esta notícia

O tempo passou, os carnavais ficaram mais elétricos e animados, mas aquele beijo permaneceu gravado na pátina do tempo – smack! –, memorável.

Atemporal, resquício de lembrança boa, página não virada, aquele beijo de carnaval se manteve!

Mas como, se durante o período carnavalesco, é mais apropriado falar em beijação e não em um, dois, três ou dez beijos? Quando os foliões, inebriados de Baco, hipnotizados por Momo, se entregam à folia de maneira inconsciente, desregrada e inconsequente?

Mas como, se na avenida ou na praia, nas micaretas ou nos blocos, a beijação corre solta, no atacado, a preço de banana, e ninguém é de ninguém?

Mesmo assim, aquele beijo (que beijo!) ficou marcado para sempre… Ele resistiu às intempéries do tempo, às crises sentimentais e aos excessos que, passado o fogo do primeiro round, sucumbem à indiferença do dia após…

Aquele beijo – por incrível que pareça – estava escrito nas estrelas… “Written in the stars”, como se diz na língua de Shakespeare!

O beijo existe desde os primórdios e, como tal, presidiu à celebração do amor e da paixão homem/mulher… Beijar é tão natural quanto andar pra frente e pra trás, na alegria e na tristeza, no público e no privado, mantidas as devidas proporções.

Durante o Renascimento, beijar uma pessoa na boca era um ato corriqueiro e funcionava como uma forma de saudação. Na França, no século XV, os nobres podiam beijar quem bem quisessem… Querer era poder em termos de ósculo, digo, de beijo…

Atualmente, as pessoas trocam, em média, 24 mil beijos de todos os tipos ao longo da vida. Agora, pense num povo beijoqueiro por natureza… Se você pensou no brasileiro, acertou em cheio!

Pense no recorde de pessoas se beijando ao mesmo tempo… No Brasil, tem precedente… Em abril de 2009, 8.372 casais se beijaram a um só tempo durante o Axé Brasil, evento realizado em Belo Horizonte.

Passada a beijação, porém, não havia sequer poeira da beijoca, nem sinal das bactérias que habitam a saliva, muito menos vestígio das endorfinas, hormônios responsáveis pela sensação de prazer.

Nada comparado àquele beijo de carnaval que, pelo menos do ponto de vista mecânico, envolveu 29 músculos, 12 dos lábios e 17 da língua, como os beijos similares.

Como explicar, então, a longevidade daquele beijo? Mudou o Carnaval ou mudamos nós?

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