Marcelo Nilo diz que foi perseguido e anuncia ingresso no PSL

Marcelo Nilo diz que foi perseguido e anuncia ingresso no PSL
25 fevereiro 10:59 2016 Imprimir esta notícia

Próximo a uma Bíblia aberta no salmo 94 que, num trecho diz: “até quando Senhor, os perversos, até quando exultarão os perversos?”, o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado Marcelo Nilo anunciou, nesta quarta-feira, 24, no Salão Nobre Casa, seu ingresso no PSL com outros cinco deputados estaduais Euclides  Fernandes, Reinaldo Braga Jurandir Oliveira, Paulo Câmara e Vitor Bonfim (atual secretário estadual da Agricultura).

O secretário de Assuntos Penais da Bahia Nestor Duarte Neto, também presente ao ato, muito ligado ao presidente do Legislativo,  seguirá o mesmo caminho, filiando-se ao PSL..

Nilo não falou de “perversidade” no seu discurso para justificar sua saída do PDT, mas repetiu que foi “perseguido” pelo atual presidente estadual pedetista, o deputado federal Félix Mendonça Júnior que teria tirado seus representantes nas comissões municipais da sigla, “inclusive na minha cidade natal, (Antas)”. Ele passou sete anos no PDT

Com essa “turbinada”, a bancada estadual do PSL, que tinha apenas o deputado Nelson Leal, passa a sete e se fixa como a terceira maior da Casa.

Nilo negociou ainda assumir a presidência do seu novo partido na Bahia e espera atrair pelo menos um deputado federal e vários prefeitos. Sua filiação será no dia 3 de março. “Somente vamos poder ter a dimensão de quantos prefeitos entrarão no PSL em janeiro de 2017, quando os novos prefeitos assumirem, pois muitos candidatos a prefeito não quiserem entrar agora no partido pois uma transferência próximo às eleições poderia ser prejudicial devido aos seus acordos locais”, disse , esperando, no entanto, que esse novo grupo político consiga eleger ao menos 70 prefeitos em outubro em vários partidos. Depois eles trocariam de legenda.

O deputado acredita que, com o fortalecimento do PSL, ele poderá ter cacife político para pleitear a vaga de senador na chapa majoritária de reeleição do governador Rui Costa (PT) em 2018. Nessa linha, confirmou que o PSL será “aliado e não liderado” do PT. Isso significa que o PSL poderá fazer alianças com legendas adversárias do PT nas eleições municipais do interior, a depender da circunstância política local.

Em Salvador, no entanto, o partido deverá apoiar o candidato indicado pelo governador. “Vamos discutir com o nosso vereador José Trindade sobre o assunto, mas sabemos que ele é muito ligado a Rui Costa, portanto, creio que não haverá oposição para fecharmos com o candidato do governador”, disse.

Dilma sim, CPMF não

Nilo também declarou que o PSL-BA vai apoiar a presidente Dilma Rousseff, apesar do desgaste dela e do PT. Voltou a defender Dilma em relação à campanha pelo seu impeachment.

Repetiu que “a digital dela” não foi encontrada em nenhum ilícito apurado pela Operação Lava Jato. Apesar da fidelidade, Nilo se disse contra  uma das principais bandeiras de Dilma e do governador Rui Costa para ajudar a atravessar a crise econômica, a CPMF. “Sou contra. Tenho independência (em relação ao dois) sobre o assunto”.

Também disse que Dilma “errou muito” na condução da economia, em especial por ter mantido Guido Mantega comandando o Ministério da Fazenda no seu primeiro mandato, por ter reduzido os financiamentos e mantido arrocho fiscal.  “Mas também acertou muito. O programa Bolsa Família é fantástico, o Fies é fantástico. Milhares de pessoas se formaram por causa do Fies. Se você for ver, diversos programas deram certo. Façam uma pesquisa hoje na Bahia que vai se ver que ela está melhorando (em relação á aprovação do seu governo)”.

A entrevista com Nilo  foi encerrada, uma hora depois. Na Bíblia aberta,  na sala esvaziada, o salmo 94 ainda reverberava: “Quem se levantará a meu favor contra os perversos? Quem estará comigo contra os que praticam a iniquidade?” (Informações: A Tarde)

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