Vírus da febre Chikungunya desencadeia atrite crônica após três anos em 60% dos casos

Vírus da febre Chikungunya desencadeia atrite crônica após três anos em 60% dos casos
29 março 17:31 2016 Imprimir esta notícia

Bahia, que foi a segunda porta de entrada da doença no País, é um dos locais mais afetados

A Chikungunya (CKV) é uma das três doenças transmitidas atualmente no Brasil pelos mosquitos  Aedes aegypti e Aedes albopictus. As outras são a dengue e a zika. Apesar de seus sintomas diretos serem bem conhecidos pela população, o que muitas pessoas não sabem é a relação direta da Chikungunya com as doenças reumáticas, que podem ser agravadas, ou até mesmo induzidas, pelo vírus. Esse quadro é um grave problema de saúde pública nos locais da epidemia, mas cuja característica e evolução são pouco conhecidas.

A Bahia, que foi a segunda porta de entrada da doença no Brasil, é um dos locais mais afetados. As cidades de Feira de Santana, Riachão do Jacuipe, Lauro de Freitas e Salvador são os municípios que registram maior ocorrência.

“A CKV é uma virose que, ao penetrar nos seres humanos por meio da picada do mosquito, desencadeia a doença em cerca de 95% dos casos. Isso costuma ocorrer num prazo de dois a quatro dias. A doença se caracteriza por febre, lesões de pele, dores musculares, cefaleia, dor nas juntas, mal-estar e dor nas articulações. O mais preocupante, no entanto, é que uma parcela relevante destes indivíduos doentes evoluirá para o quadro de artrite, ou seja, inflamação de suas articulações. Nestes casos, elas ficam inchadas e extremamente doloridas, com dificuldade para andar, levantar os braços, subir escadas, pegar objetos e até mesmo dormir. Com esses sintomas, muitos indivíduos ficam sem trabalhar ou frequentar a escola”, explica o reumatologista da Diagnoson a+, Jozélio Freire de Carvalho.

Uma média de 88% a 100% das pessoas com CKV apresentarão quadro articular nas primeiras seis semanas de doença e isso vai reduzindo lentamente. Impressiona o dado de que 60% dessas pessoas poderão sofrer de artrite crônica após três anos da picada do mosquito.

Estudos realizados em países da Ásia (Ilha Reunion) confirmam esse aspecto e demonstram que a artrite por Chikungunya pode durar de apenas alguns meses até um período entre 6 e 8 anos, caso não seja tratada adequadamente.

Hoje, os consultórios dos reumatologistas estão recebendo cada vez mais doentes com a forma crônica da doença, que tem baixa resposta ao tratamento somente com analgésicos e anti-inflamatórios.

“Em muitos casos, é necessário o uso de corticoides e até mesmo imunomoduladores, sempre com acompanhamento médico de um reumatologista. Um estudo revelou que 63% dos pacientes têm dificuldade em levantar da cadeira após a Chikungunya, 55% em andar e pegar objetos, 53% não conseguem abrir uma garrafa e 37% relatam dificuldade para tomar banho diário”, ressalta o médico.

Além de poder induzir diretamente a artrite, o vírus CKV também pode revelar uma doença reumática que ainda não havia se estabelecido, tais como artrite reumatóide, espondiloartrites, artrite psoriática e gota, e até mesmo a psoríase – doença inflamatória da pele – pode se iniciar após a CKV.

“Outra consequência é que os pacientes com doença reumática prévia podem apresentar piora no quadro de reumatismo, com o agravamento das dores. O vírus também pode induzir ou agravar a síndrome do túnel do carpo – dormência e formigamento na mão e no braço, causados por um nervo comprimido no pulso. Não há vacinas nem tratamento especifico para o vírus CKV. Entretanto, as manifestações reumáticas da doença podem e devem ser tratadas por um reumatologista”, finaliza Carvalho.

CKV no Brasil

Em 2004, houve uma epidemia na África e Ásia que atingiu cinco milhões de pessoas. Em 2013, o vírus chegou ao Caribe e, em 2014, ao Brasil. Os primeiros casos foram identificados no estado da Bahia, mais especificamente em Feira de Santana, no mês de abril daquele ano. (Da redação TN)

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