
Por Athylla Borborema
O primeiro turno das eleições de 2026 deixou um dado político que merece ser observado para além dos números das urnas: a família Belitardo demonstrou possuir uma estrutura eleitoral própria em Teixeira de Freitas, construída ao longo de dois mandatos do prefeito Marcelo Belitardo (União Brasil). A candidatura da advogada, ex-secretária municipal e primeira-dama Penélope Belitardo (PDT) à Assembleia Legislativa da Bahia alcançou 27.318 votos no município, tornando-a a deputada estadual mais votada da cidade, enquanto sua votação total chegou a 34.208 votos. Embora não tenha conquistado uma cadeira, o desempenho revela a existência de uma base política expressiva e coloca o grupo familiar como um dos protagonistas das discussões que naturalmente começam a se formar para as eleições municipais de 2028.
A trajetória eleitoral de Marcelo Belitardo ajuda a dimensionar o tamanho dessa estrutura. Em 2020, o atual prefeito foi eleito com 60,91% dos votos válidos, correspondentes a 45.433 votos, enquanto o segundo colocado alcançou 16,31%, com 12.163 votos. Quatro anos depois, Marcelo ampliou sua votação e conquistou a reeleição com 64,27% dos votos válidos, ou 51.156 votos, contra 22,78% do segundo colocado, que obteve 18.130 votos. É nesse histórico de duas vitórias majoritárias, associado à atual avaliação positiva de sua administração, que deve ser compreendida a transferência de votos para a primeira-dama Penélope Belitardo. A votação da ex-secretária não representa apenas uma candidatura familiar, mas a capacidade do grupo governista de mobilizar parcela significativa do eleitorado municipal em uma eleição estadual.
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O resultado de Penélope Belitardo, entretanto, também expôs uma contradição eleitoral importante: a força demonstrada em Teixeira de Freitas não foi suficiente para produzir uma votação regional capaz de levá-la à Assembleia Legislativa. O PDT elegeu cinco deputados estaduais, e Penélope terminou na terceira suplência. Para alcançar a eleição, faltaram 13.009 votos. A matemática eleitoral evidencia que a candidatura possuía uma base municipal consistente, mas necessitava de uma construção regional mais ampla. Na avaliação de aliados e lideranças que defenderam sua candidatura, o movimento político poderia ter alcançado outra dimensão caso a articulação regional tivesse começado mais cedo e contado com maior participação de lideranças e estruturas institucionais.

Esse aspecto introduz uma variável relevante na leitura do resultado. A avaliação positiva atribuída à administração de Marcelo Belitardo, estimada em 83% de aprovação, oferecia à candidatura de Penélope um ativo político considerável: ela era apresentada como um nome leve, da própria região e associado a uma gestão municipal que buscou recuperar as finanças públicas, atrair investimentos, executar obras e implementar projetos de grande porte. Sob essa perspectiva, o desafio não estaria propriamente na construção de uma identidade eleitoral dentro de Teixeira de Freitas, onde Penélope Belitardo obteve sua maior votação, mas na transformação dessa força municipal em uma rede regional suficientemente ampla para disputar as cadeiras disponíveis na Assembleia Legislativa.
O desempenho de Tequinha Brito (PDT) acrescenta outro elemento à equação política do grupo. Candidato a deputado federal com apoio do prefeito Marcelo Belitardo, o vereador recebeu 8.127 votos em Teixeira de Freitas e totalizou 9.631 votos em sua votação geral. Embora não tenha sido eleito, o resultado o coloca entre os nomes que conquistaram densidade eleitoral própria na cidade e acrescenta uma nova liderança ao campo político ligado à administração municipal. A presença de Tequinha, portanto, não deve ser analisada isoladamente: ela passa a integrar um conjunto de forças que poderá influenciar as futuras alianças, composições partidárias e candidaturas para 2028.
A eleição de 2026, dessa maneira, produz uma fotografia bastante particular do grupo Belitardo. Marcelo preserva o capital político acumulado em duas eleições municipais vitoriosas; Penélope demonstra possuir uma expressiva base eleitoral em Teixeira de Freitas e alcança a condição de candidata a deputada estadual mais votada da cidade; e Tequinha Brito surge com uma votação municipal significativa, reforçando o campo político governista. O resultado não garante, por si só, qualquer desfecho eleitoral futuro, mas fornece elementos objetivos para que a força do grupo seja considerada nas próximas articulações.

Para 2028, o cenário ainda está aberto e dependerá de alianças, partidos, candidaturas e decisões que serão construídas ao longo dos próximos dois anos. Mas as urnas de 2026 deixaram uma mensagem política concreta: a família Belitardo possui uma base eleitoral relevante em Teixeira de Freitas, e a votação de Penélope demonstrou que esse capital pode ser transferido para além da candidatura do próprio prefeito. O que faltou para transformar os 34.208 votos em um mandato estadual foi, sobretudo, ampliar a dimensão regional da candidatura. É justamente essa experiência que poderá orientar os próximos movimentos do grupo e determinar o papel de Marcelo, Penélope e das demais lideranças associadas ao governo municipal na sucessão do Palácio 9 de Maio, em 2028.

