
Os corpos dos produtores rurais Alberto Carlos dos Santos, de 60 anos, e de seu filho Amauri Sena dos Santos, de 37, assassinados brutalmente numa emboscada na manhã desta última terça-feira (28), foram velados sob forte comoção no plenário da Câmara Municipal de Itamaraju. Durante todo o dia, centenas de pessoas passaram pelo local para prestar as últimas homenagens às vítimas. O clima era de dor e indignação, e o sentimento coletivo era de revolta diante da crueldade com que o crime foi cometido. O sepultamento aconteceu por volta das 17h30, desta quarta-feira (29).
O ataque ocorreu na região da Pedra Mole, área rural de Itamaraju, quando um grupo de indígenas da ‘Aldeia Trevo do Parque’ montou duas barreiras na entrada da Agrovila Barriguda, pertencente à Associação Comunitária dos Pequenos Produtores Rurais da Barriguda. A comunidade é um tradicional assentamento de reforma agrária criado nos anos 1990, onde vivem 36 famílias entre a BR-101 e os limites do Parque Nacional do Monte Pascoal. A suposta motivação seria uma tentativa de “retomada de território”.
Segundo relatos dos familiares, Amauri retornava de Itamaraju com o pai, a esposa e o cunhado, quando a família encontrou a primeira barreira, formada por oito indígenas da aldeia vizinha, que liberaram a passagem. Ao chegarem à segunda barreira, já próxima da agrovila, foram recebidos a tiros por cerca de 15 homens, com disparos para o alto e para o chão. Um dos disparos atingiu os pneus da caminhonete, forçando a parada. Antes de qualquer diálogo, Alberto Carlos ao sair do veículo para tentar um diálogo e saber o que estava acontecendo, foi alvejado no tórax e já caiu morto.
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Desesperado, Amauri Sena que estava sobre o volante da caminhonete, correu para socorrer o pai e a sua primeira reação foi abraça-lo no chão, mas acabou sendo executado com dois tiros pelas costas e na nuca, morrendo abraçado ao corpo de Alberto. O cunhado de Amauri, o jovem Joabson Lima Alves dos Santos, tentou conter o atirador ao atracá-lo por trás, mas foi golpeado na cabeça com um pedaço de pau por outro agressor e caiu desacordado. Enquanto isso, a esposa de Amauri tentou fugir pela estrada gritando por socorro, sendo perseguida e cercada pelos criminosos. De joelhos no meio da estrada, clamou por ajuda divina – e, num ato inesperado, os agressores desistiram de matá-la, retornando à cena do crime.
Mesmo desacordado, Joabson foi alvejado com três tiros – na cabeça, abdômen e perna direita -, mas com a fuga dos criminosos e a chegada dos moradores da agrovila, se descobriu que Joabson ainda estava com vida – quando foi socorrido inicialmente ao Hospital Municipal de Itamaraju e depois transferido para o Hospital Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas, onde permanece em estado grave. O ataque deixou o município de Itamaraju em estado de revoltada e ampliou a tensão entre agricultores e indígenas da região.
Ainda nesta última terça-feira (28), a Polícia Militar prendeu três suspeitos de participação no crime e apreendeu uma pistola, espingardas, carregadores, munições e um veículo. O autor dos disparos fatais foi identificado como João, casado com uma índia da ‘Aldeia Trevo do Parque’, que está foragido. A Justiça já decretou sua prisão preventiva. De acordo com familiares, o atirador era conhecido das vítimas, frequentava a casa da família, tomava café e até fazia refeições com eles. Em um gesto de confiança que hoje choca a todos, o principal atirador chegou a pegar um trator emprestado das vítimas dias antes da tragédia.

