Indígenas mantêm bloqueio na BR 101 por quase 40 horas em Itamaraju

Um protesto organizado por cerca de 30 membros da etnia Pataxó somou quase 40 horas de interdição total da BR‑101, no trecho do Trevo do Parque Nacional do Monte Pascoal, no município de Itamaraju. A manifestação, que teve início às 08h30 de segunda-feira (07) e chegou até as 16h30 desta terça-feira (08/07), resultou na paralisação do tráfego, danos materiais e intenso desgaste para motoristas e usuários da rodovia.

Os indígenas protestaram contra a prisão do cacique Welington Ribeiro de Oliveira, o Suruí Pataxó, detido por agentes da Polícia Federal e Força Nacional na última semana em operação no território de Barra Velha, no município de Porto Seguro. O líder foi flagrado com duas pistolas de numeração raspada e cerca de 400 munições, incluindo calibre de fuzil. Os manifestantes exigiram sua imediata soltura e ameaçaram nova interdição caso o habeas corpus não seja deferido em segunda instância.

Indígenas mantêm bloqueio na BR 101 por quase 40 horas em Itamaraju

O bloqueio provocou um congestionamento que chegou a 15 quilômetros de extensão para ambos os sentidos. Cargas perecíveis ficaram paradas, caminhões não conseguiram transitar, centenas de pessoas perderam seus voos no aeroporto de Porto Seguro porque não conseguiram passar e estações rodoviárias das cidades do extremo sul da Bahia colapsaram com filas, passageiros retidos – incluindo crianças e idosos -, muitos passando a noite nos terminais sem estrutura adequada.

Um dos momentos de maior tensão ocorreu por volta das 11h30 de segunda-feira (07), quando uma caminhoneira capixaba, de 40 anos, tentou passar por uma “liberação pontual” do bloqueio. O veículo foi cercado, apedrejado e incendiado pelos manifestantes. A motorista foi retirada com sinais de agressões leves (arranhões, puxões de cabelo), teve celulares confiscados, rosto marcado com urucum e, segundo ela, foi filmada obrigada a declarar que não tinha sido agredida. A PRF admitiu ter sido barrada pela interdição total.

Indígenas mantêm bloqueio na BR 101 por quase 40 horas em Itamaraju

A Polícia Rodoviária Federal acompanhou a manifestação desde o início com diálogo, mas não interveio diretamente no bloqueio. Já por volta das 16h30 desta terça-feira (08), após mais de 35 horas, os indígenas iniciaram a liberação da rodovia. A informação é que o novo pedido de habeas corpus em favor do indígena preso (Suruí Pataxó) deve ser julgado em 9 de julho, mas os manifestantes já disseram que a interdição será retomada caso o recurso seja negado.

O choque entre a legitimidade das reivindicações indígenas e o impacto coletivo da obstrução da rodovia reacende o debate sobre limites legais da manifestação, pois a mobilização desta semana causou colapso em rodoviárias, prejuízos a transportadoras e transtornos a moradores e viajantes que dependem da BR‑101. A tensão social e possibilidade de novos bloqueios são iminentes com o provável indeferimento do habeas corpus e, líderes indígenas como o cacique Atxuab Pataxó anunciam nova interdição, mantendo o clima de incerteza na região.

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