
A região cacaueira da Bahia viveu nesta terça-feira (10/03) um dia de profunda comoção e reverência à memória de uma de suas figuras mais admiradas. Amigos, familiares, autoridades e admiradores se reuniram para dar o último adeus à professora aposentada e ex-prefeita de Ibicuí, Gilnay Cunha Santana, que faleceu na noite da última segunda-feira (09), aos 68 anos, no Hospital Calixto Midlej Filho, em Itabuna, onde lutava contra um câncer (Carcinoma Hepatocelular). Mulher de espírito firme, vocação pública e coração generoso, Gilnay construiu uma trajetória marcada pela dedicação à educação, à gestão pública e, sobretudo, ao compromisso de servir ao próximo – um princípio que ela traduzia em uma frase que repetia com convicção: “Quem não serve para servir não serve para viver”.
Filha da cidade de Coaraci, região sul da Bahia e professora da rede estadual de ensino, Gilnay começou a construir sua história no campo da educação, onde se destacou pela liderança e pelo compromisso com a formação de gerações. Em Itabuna, tornou-se diretora do Colégio Estadual Félix Mendonça, no bairro Sarinha Alcântara, onde deixou marcas de gestão firme, humanizada e respeitada por professores, alunos e toda a comunidade escolar. Mais tarde, sua capacidade administrativa e sensibilidade social a conduziram a novos desafios no serviço público, entre eles a presidência da Fundação de Assistência à Saúde de Itabuna (FASI), responsável pela administração do Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães. À frente da instituição, participou de importantes ações voltadas à organização e ao fortalecimento da unidade hospitalar, demonstrando o mesmo zelo e compromisso que sempre guiariam sua vida pública.
Foi essa vocação para servir que a levou também à política. Entre 2013 e 2016, Gilnay Cunha Santana governou o município de Ibicuí, onde exerceu o cargo de prefeita com espírito de trabalho, coragem administrativa e sensibilidade social. Ao longo de sua gestão, consolidou a imagem de uma mulher determinada, capaz de enfrentar desafios com serenidade e firmeza, sempre guiada pelo propósito de melhorar a vida das pessoas. Irmã do ex-comandante do Comando de Policiamento Regional Sul, em Itabuna, o coronel da reserva da Polícia Militar, Gilberto Santana Filho, a professora Gilnay deixa três filhos, Roney Moreira Filho, Danilly e Danielly Santana Moreira, quatro netos e uma história profundamente ligada à construção do bem comum. Em reconhecimento à sua trajetória, as cidades de Ibicuí, Coaraci e Itabuna decretaram luto oficial de três dias.
O velório aconteceu nesta terça-feira (10), na Loja Maçônica Filho Acácia, no centro de Coaraci, sua terra natal, onde centenas de pessoas passaram para prestar homenagens e recordar momentos de convivência com aquela que muitos descrevem como uma anfitriã generosa, amiga leal e mulher de coração imenso. O sepultamento ocorreu no final da tarde, no Cemitério Municipal de Coaraci, em meio a uma atmosfera de emoção que tomou conta de todos os presentes.
Entre as homenagens que marcaram o adeus, um dos momentos mais comoventes e que tocou profundamente os presentes, foi o discurso do juiz de direito Roney Jorge Cunha Moreira, seu primeiro, único esposo e pai de seus três filhos. Com palavras carregadas de sensibilidade e gratidão, o magistrado emocionou o público ao recordar a mulher com quem compartilhou grande parte da vida. Em um pronunciamento sereno e profundamente humano, ele exaltou a trajetória de Gilnay como mãe, companheira e cidadã comprometida com a coletividade. Agradeceu pelos filhos e pelos netos que, segundo ele, “são a prova viva do amor que construímos ao longo da vida”. Em estado geral de sensibilidade, o juiz Roney Moreira lembrou que Gilnay viveu de acordo com aquilo que sempre pregou: servir às pessoas com dignidade, generosidade e fé na vida.
Outro testemunho emocionante foi o da médica Andréia Gusmão, amiga próxima da família e que esteve ao lado de Gilnay durante os últimos dias de internação na Unidade de Terapia Intensiva. Com voz embargada pela emoção, ela relatou que acompanhar aqueles momentos finais foi uma experiência inesquecível e repleta de significado humano. Disse que Gilnay foi uma das pessoas mais extraordinárias que conheceu na vida e que teve a oportunidade de expressar a ela, ainda em vida, tudo o que seu coração sentia. Andréia contou que, nos últimos dias, as duas compartilharam longas reflexões sobre a vida, a família e os caminhos percorridos. “Foi um privilégio poder lembrá-la, ali, naquele momento tão delicado, de quão especial ela era como mulher, esposa, mãe, avó e amiga”, declarou a jovem médica, emocionada a nossa reportagem.
Assim, entre lágrimas, abraços e memórias, a região cacaueira se despediu de uma mulher que fez da própria existência um testemunho de dedicação ao próximo. Professora, gestora, prefeita, mãe, avó e amiga – Gilnay Cunha Santana deixa uma herança que ultrapassa cargos e títulos. Permanece viva na lembrança de todos aqueles que conviveram com sua força, sua ternura estampada no rosto e sua permanente disposição de servir. Porque, como ela mesma dizia e viveu até o último instante, quem não serve para servir, não serve para viver.

