PF deflagra operação que investiga ex-deputado por suposta ligação com facções criminosas em Eunápolis e Teixeira de Freitas

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (14/04), a Operação Colligatio, que investiga o ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto, o popular “Uldurico Júnior”, 34 anos, por suspeita de envolvimento em articulações com organizações criminosas no extremo sul da Bahia. O nome da operação, de origem latina, remete à ideia de “união” ou “ligação”, em referência à possível conexão ilícita entre agentes políticos e o crime organizado.

Segundo as investigações, há indícios de que o ex-parlamentar teria buscado apoio de integrantes da chamada Facção Gueto, com atuação no Conjunto Penal de Teixeira de Freitas, além do grupo conhecido como Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), que exerce influência no presídio do Conjunto Penal de Eunápolis. A suspeita central é de que essa aproximação teria como finalidade obter vantagem indevida nas eleições municipais de 2024, possivelmente por meio de promessas de benefícios a detentos ou seus familiares, além de eventual interferência na administração prisional.

O inquérito teve início a partir de informações compartilhadas pelo Ministério Público do Estado da Bahia e pela Corregedoria-Geral de Justiça do Tribunal de Justiça da Bahia. De acordo com os órgãos, foram identificados indícios de contatos frequentes entre o então candidato e internos do sistema prisional, registrados por meio de escutas autorizadas judicialmente e monitoramento de visitas.

Durante a operação, agentes federais cumpriram três mandados de busca e apreensão nas cidades de Teixeira de Freitas e também em Porto Seguro e Salvador, em endereços ligados ao ex-deputado e a outros dois investigados. Entre os materiais recolhidos estão celulares, computadores, tablets, dispositivos de armazenamento, documentos físicos e digitais, além de veículos. Também foram apreendidas anotações, agendas e indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas. A Justiça autorizou ainda o acesso a dados bancários e fiscais do investigado referentes aos últimos dois anos, com o objetivo de apurar possível financiamento irregular de campanha.

Caso as suspeitas sejam confirmadas ao término das apurações, os envolvidos poderão responder por crimes como corrupção eleitoral, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de eventual associação ao tráfico de drogas, conforme a legislação vigente. Em nota, a Polícia Federal informou que as diligências continuam em andamento e que todo o material apreendido será submetido a perícia. A corporação destacou ainda que a Operação Colligatio representa um avanço no enfrentamento à atuação do crime organizado no processo eleitoral baiano.

Em nota, a defesa do ex-deputado federal Uldurico Júnior informou que o cumprimento dos mandados de busca e apreensão em seus endereços foi recebido com surpresa. Afirmou ainda que está à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários e, nega qualquer irregularidade e enfatiza que a sua inocência sobre tais acusações será provada.

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